sábado, 11 de fevereiro de 2012

As meninas












                Responda-me o por quê!
         Esclareça-me pois quero saber, me diga por que nunca deixaste brincar a menina dos teus olhos com a menina dos meus. Por que as tuas pálpebras dementes ocultam a faceira menina que deseja correr pelos campos, colher flores e transformar em jardim teu rosto tão triste? Não vês que as águas que escorrem pelo teu rosto poderiam ser um lago de riso, tão somente nossas meninas pudessem brincar juntas? Tens medo de quê? Confie na menina dos meus olhos, pois ela habita em olhos seguros e traz na lembrança apenas belas visões, as más, ocultei no véu das palavras e por mais que a menina teime em espiar através dele, não pode ver nada além de flores.

            Acha que fiz mal? Ora, a minha menina não quer crescer, ser adulta e saber de tudo, ela quer simplesmente saltar de olho em olho, colhendo nuns flores, noutros lágrimas, mistérios insondáveis, riso, felicidade, angústia, beleza, sonho... Ela quer ir a todos eles, em todos os lugares... Porém, a minha menina descobriu tantas pálpebras descidas em seu caminho, que anda entristecida, não quer mais brincar e até mesmo ela, antes tão faceira, estendeu suas mãos e me trouxe as pálpebras descidas ante os rostos ansiosos da multidão. Assim, oculta pelas pálpebras, ela descobriu o medo, a dor, a solidão e agora chora sozinha. Creio que a menina dos meus olhos está crescendo, pois dias desses segredou-me estar cansada; - imagine, disse-lhe, já cansada e apenas és uma menina. Como podes cansar-te se já não saltas mais como antes? – Canso-me de ser menina e não mais poder ser, fadei-me de encontrar olhos nus, nus de inocência, de confiança, de amor, de companheirismo, de esperança. Fui menina, continuo menina, porém menina mecânica; todos os meus gestos têm de ter medida, hora e lugar certo, sou uma boneca de pano esquecida num canto sombrio, esperando que o lampejo dos teus olhos ilumine um dia o meu canto e me faça novamente menina, para juntas brincarmos e entrelaçarmos com os braços da esperança o momento que já deixamos partir.






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