quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ave avó



Eu avó,
sem dentes
de peles moles crescidas
alvos parcos cabelos
arrepios
Uma roupa que cobre
já não orna
a carne rejeitada
da urna que confina
minha juventude
Eu avó seguro
a mim menina no colo
acaricio-lhe os cabelos
as vontades do mundo
Eu avó,
só em mim
em mim avó
e a menina me olha
com lábios sujos de amoras
do agora
uma menina que vê além
dos olhos da avó
uma menina
Só.
Vovó!
Já não lhe ouço as palavras
sei-lhes todas
reflito do mesmo brilho
que em seus olhos
lampeja:
Uma menina de trás para frente
Uma avó às avessas
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