segunda-feira, 7 de maio de 2012

Retrahere





Um momento

Nuances e traços explicitam a diferença

O branco saltando do preto

O preto sombreando o branco

Recortes sem margens de um rio

Um rio caudaloso

Um chapéu preto

Uma pena branca

A boca, uma boca encarnada em preto

De um preto que evoca ao carmim

O maiô preto ajustado no corpo esguio,

a toalha branca forrando a cadeira

a menininha segura um pato branco

calça um sapato preto

tem cabelos pretos, mas a tiara é branca

e a avó soprando uma luz branca de uma vela já apagada.

Uma avó de cabelos brancos, de vestido preto

De sorriso tao franco

Um homem de bigodes e terno pretos

O lencinho branco saltando do bolso,

A maleta preta. Para onde vai?

Os papéis brancos estão ocultos

Neles a grafia preta diz com tintas palavras negras

o aro dos óculos do avô, pretos

os dentes tão brancos contando as alegrias

o louro preto no ombro, sobre a camisa branca

a arara preta sobre o muro branco

um céu branco

um avião preto

A noiva em branco alvíssimo

O noivo garboso em preto

O bebê envolto em mantas brancas

A viúva em preto, guarda-chuva preto

No tabuleiro de xadrez branco e preto

Dançam as figuras da caixa de retratos velhos

Em enigma, a espera do cheque-mate

Enquanto o movimento de outras eras

Mistura essas tintas e insinua sombras,

Cinzas
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