quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conto para pato dormir



Esta é a estória da pata Patachoca
Que sentada em vinte ovos
Feliz chocava uma patota
De patinhos amarelos novos

Mal despontava o dia a Patachoca
Esticava as pernas cansadas
Afofava as plumas com bicotas
E cantava com voz esganiçada: 
- Quock, queck, quick, quack, quol, qua, qui quock
Desafinava sempre na oitava a pobre Patachoca

Todos os dias era a mesma ladainha
A Patachoca quackejando sonhadora
Sentada sobre os ovos qual uma rainha
E os vinte ovos em silencio sob a canora

Uma manhã estando ela em sua formosura
Admirando o céu azul recém nascido
Cantava esganiçada seu arpejo matinal
Quando um creck esquisito ressoou pelo quintal
Imagine, pensou, que coisa esquisita
Um barulho de quebradura quebrando
- Ai que medo será que é a raposa do madrigal?
- Ai me acuda dona Galinha que pato não vai a hospital
Arfava já a Patachoca quase chorando…

Dona Galinha que ciscava alegremente
Só levantou uma sobrancelha e sorriu amarelamente
Pois conhecia de longe o drama da pata faceira
Que sempre alvoroçava a qualquer bobalheira
Creck

Patachoca chocada chaqualhou a cauda
Espichou-se, espiou de um lado a outro
Sacudindo as asas indagativa…
Quack?
Quack! – respondeu abaixo de si
Era o patinho que enfiara o biquinho
Na casca de seu ovinho
Creck
Lá veio uma asinha, toda já emplumadinha
Um pezinho desajeitado e um patinho
com metade da casca do ovo como fraldas
Atordoado admirava as belas pluma alvas
Da mamãe Patachoca que limpava as lágrimas
Com tanta emoção que fez até dona Galinha
Se comover em admiração!
Có! Coisa linda Có! Comadre! Cocobéco… chuif
Quack, creck, quack creck
Mais quatro biquinhos, oito pezinhos e asinhas se
Juntaram ao primeiro patotinha
Os cinco patinhos patetas tropegando ainda nos passos
A Patachoca orgulhosa esticava o papo
E chamou ao primeiro Patock
A segunda uma patinha fofa Peteka
E sem seguida Pitika, Potók, Patakleia
Quackejando sem nexo ainda os patinhos
Todos sobressaltados ouviram
Creck creck creck
E mais três irmãozinhos vieram:
Pacato, Potico e Poti
Esta última uma pata de olhos de mel
Já nasceram num patati patatá sem fim
Quack? Assustada a pata admirava

Que lá vinham mais rebentos à ninhada
Quá! Quá! Quá!Quá!
Caquá, Cequé, Quaquinho e depois veio
Qüéqüé um pato gaginho

O cavalo que de longe assistia
Saiu dando coices pelo ar
- Viiiiiixe Mariiiia vou avisá o dono da famia
Saiu em disparada só poeira após seu galopar
Cada creck que quebrava
Era um viva que vibrava
A fazenda toda esperava
Cada pato que chegava
Creck veio um patinho valentão
Que se chamou Gastão
Logo após si
Veio a patinha Quaqueli

Patachoca já chorara tanto
Que as lágrimas secavam
Ja sorria em meio ao pranto
E com carinho os beijava
Patock já fugira do ninho
Enfiando o pezinho no lago
Patachoca ralhava baixinho
E o trazia de volta com afago
Já nasciam Quick, Quem, quomo
Quando Sr. Patocho chegou
De peito inchado de orgulho
Foi olhando e desmaiou
Dona Porca que entendia de unguento
Foi logo chamando o solícito Jumento
Para trazer uns sais
Para os novos pais


Creck, quack creck
Vieram os três caculinhas
Um que se chamou Quaria
Outro Quevin
E a última Quatarina


Já era tarde rosa
Quando enfileirados sairam
A familia mais famosa
Patachoca toda garbosa
Os patinhos lhe seguiam
Sr. Patocho seguia atrás
Da fila longa de qua quás


Até hoje se visitas
A fazenda da Patachoca
Já traz logo uma marmita
Porque não sobrou minhoca
Mas já venham avisados
E em quaquejamento versados
Pois não há turma mais animada
Que tantos patos em uma ninhada!



À minha Lilly, que ama patinhos...
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