segunda-feira, 9 de abril de 2012

SUA

 A fada da floresta dormia. Sonhava um sonho muito redondo, azul.
No sonho da fada da floresta, do azul emergiam linhas retas, paralelamente horizontais, do alto de seu sonho admirava-se a nitidez da organização.
Caiu a noite, a escuridão não era plena pois cinquenta e uma estrelas cintilavam no azul profundo.
O sonho principiou em pesadelo.
Os canteiros das rosas vermelhas que se entrevia quando claridade total faziam-se monstros violentos, alimentadas do sangue inocente derramado desabrochavam em pétalas tenras.
O azul se fazia taça transbordando das lágrimas do mundo todo. A fada principiou a chorar sem saber a razão, imediatamente das suas lágrimas brotavam umas florzinhas azuis pequeninas, que apressadas em crescer rompiam do solo num parto doloroso.
Então a fada avistou cravos, lindos, tão brancos que lançavam um pouco de luz à obscuridade. Pasma com tamanha beleza conseguia vislumbrar-lhes a pacífica inscrição implícita.
Novamente o inesperado. Suas asinhas se tornaram douradas, perdendo a leveza ao peso da nova cor. Lançada pelo ar mergulhou na cama de cravos macios.
Que fado a uma fada! Transformada em ouro fora cair nos leito dos cravos ourívaros. Seus últimos instantes lentamente transcorrendo, sentiu as raizes que se erguiam do solo como tentáculos enquanto era absorvida pelo solo arenoso.
Foi então que a menina em um sobressalto acordou de vez. Estivera sonhando acordada fitando a bandeira.

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