terça-feira, 3 de abril de 2012

Contra a vidraça

É como se borbulhando o instante das sensações me preenchessem de uma certeza que desconheço mas sei.
De repente o vazio ambiente é preenchido por uma substância penetrante, ondulosa, pressurizando pele, cabelos e os olhos tornando-se translúcidos. Vê-se as coisas que são como são, mas que no instante simplesmente deixam de ser.
Acordes, vozes distantes, cheiro de café fresco preenchendo tudo. O movimento desliza como grãos de areia na ampulheta do instante.
Contaminada da doença de escrever deito os meus profundos devaneios em papéis quaisquer. Não, não são palavras importantes, não há necessidade de que as mesmas sejam lidas. Escrever é falar comigo mesmo e me sentir só em minha companhia.
Lembra a estorinha do peixinho que o homem pescou e criava como um cachorrinho, carregando-o pelos elevadores e cafés?
É a mesma coisa. Não posso mais ser devolvida ao lago, desaprendi a nadar. Vivi enclausurada em meu casulo fétido, escuro e feio. Agora borboleta anseio ar fresco e bato minhas asas contra o vidro do aquário bonito.
Postar um comentário