quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Beiro Ebrio


Ah ha ha ha!
Hoje vou me embriagar,
Vou entortar o caneco
vou encher a cara
Hoje vou dizer chega:
às convenções impostas
às modestias
às máscaras
às vendas dos olhos
Hoje vou abrir a janela proibida
vou espiar a vida que há além
vou me derramar em choro
oh, yes!
Choro!
Que se danem seus ombros distantes
sua insensibilidade
sua estúpida aparente racionalidade
vou chorar desde o coelhinho morto
à última mágoa boba
sim, a entonação da voz diz muito
Hoje eu derramo minhas mazelas
meu grito abafado na garganta
vai soar na abóbada celestial
como trombetas apocalipticas
Hoje eu quero explodir deste círculo vicioso
uma explosão de mágoas
para que eu possa externar
que não sou feita de choro
que essas lágrimas só estão aqui
por sua culpa
pela sua ausência
Que eu entendo, mas que mesmo assim dói
e se sua mão me alcançar a tempo
gritemos e nos embriaguemos juntos
e vamos fazer chover as flores que escondemos
na cortina da convencionalidade
Razão, vá para o inferno hoje!
Eu quero tocar a minha própria alma
encolhida, carcomida, esquecida
e reaprender-lhe o encanto
Vamos beber do céu azul tão lindo lá fora,
embriaguemo-nos com o vôo dos pássaros
pasmemos estupefatos com o trilhar da formiguinha incrível
escandalizemo-nos com a sabedoria das abelhas
vamos inspirar do que ensinam as estrelas
Não, não visitemos o planetário!
Vamos subir nas montanhas dos nossos sonhos
e estudar o mapa do universo por si
Vamos chorar de emoção com as estrelas cadentes
Vamos inventar um mito novo:
dar três pulinhos, amarremos uma fitinha no braço,
o que seja necessário para que este sonho dure
nem que seja o instante desta poesia.
Então trôpegos,
seguremos as mãos das crianças abandonadas
famintas,
das mães pobres desprezadas,
e rindo sem parar lhes demos a esperança
de que o mundo está lindo ainda,
e que as borboletas hão de apontar
o caminho para nossa metamorfose.
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