quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mundo oceânico da banheira do bebê



   


 Era uma vez um Jacaré cujo nome era Quelé, era um jacaré roxo, cheio de dentes afiados assustadores mas carinha de lelé. Era um jacaré muito educado, que só mordia depois de questionar sua presa:
      - Poderia por gentileza comer a vossa senhoria?

     Coitadinho, tão magrinho, cansou tanto de perguntar que se tornou vegetariano. O melhor amigo do senhor Jacaré Quelé era um Caramujo marujo cujo nome era Carujo. Experimentado no mar, vivera aventuras mil no fundo do oceano Banheirânico. Sempre que se via o roxo Jacaré Quelé lá vinha de longe a sombra laranja claro do Caramujo Carujo se arrastando atras do amigo, uma dupla dinâmica vejam só. Quando Carujo se cansava subia nas costas do amigo e em troca lhe cobria de grudenta gosma, que Quelé apreciava muitíssimo, pois tinha a pele seca.
     Reclamavam muito de um Siri estabanado, que andava de lado, de família portunídea, chamado Quiriquiqui. Recebera tal nome pois além de novidadeiro sua cor vermelha lembrava a cor da crista de um galo. Quiriquiqui vivaldino vivia ensaiando andar para frente, mas virava de lado para ir para frente e do outro para ir para trás de modo que se irritava muito das piadas que lhe faziam,o rapaz. Toda vez que passava, alguém com sua garra beliscava. Sua vítima favorita era o rabinho da Tartaruga Beluga. Se desculpava sarcástico que seu rabinho parecera com um delicioso aspargo. Tartaruga Beluga choramingava dengosa, levando meia hora para soltar um aaaaaiii, e ficava verdinha de raiva ao contar a seu pai, o Golfinho Marinho, azul clarinho, tão fofinho que singrava o mar branco da banheira do bebê a procura dos patos que à deriva cantavam um quá quá sem fim.
     A mãe de Beluga, a Baleia da Leia era internacionalmente conhecida, cantava ópera no Auditório de Corais. Era muito elegante, em suas linhas azuis, vestida de espuma encantava nos arpejos ao que seu esposo o Golfinho Marinho suspirava orgulhoso. Tartaruga Beluga era muito sensível, enxugava disfarçada uma lágrima sonhadora ao assistir as evoluções do Ballet comandado pelo senhor Polvo Dolvo, encantador em seu verde clarinho, acompanhando com finesa de movimentos a voz maviosa da mãe de Beluga, enquanto as anêmomas iluminavam em tons pastéis a beleza da noite.
     Ao final de cada espetáculo, a Baleia da Leia recebia de presente, uma pérola rósea que sua estimada amiga a Concha Caroncha carinhosamente calcificava durante meses a fio, pérolas tão finas que causavam exclamações da mais profunda admiração aos que avistavam de longe a baleia azul com seu cordão de pérolas. Concha Caroncha sorria feliz da areia, era uma concha muito calma, muito contida, que estimava sonhar um dia ter nadadeiras.
      - Vamos bebê, o banho acabou.
     E o bebê chora, sem consolo ter que deixar as aventuras dos amiguinhos no fundo da banheira.
     - Meu amor, amanhã a gente continua a estória.
     E o bebê silencia, pois sabe que a cada banho, nova aventura se enuncia.

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