terça-feira, 31 de julho de 2012

A menininha do jardim


A menininha veste um vestido vermelho
calça sapatinhos de cetim, sujos de lama
alheia a menina deslumbra-se no espelho
que a poça d’agua refletindo lhe emana

Uma menininha que ri gargalhadas agudas
pequenos gritinhos misturados ao burburinho
das abelhas, listradas, graciosas, parrudas
admira séria os poás das asas da joaninha

A Joaninha voa, a menina grita em êxtase
e corre a ver a nova flor rubra da papoula
cujas gotas de orvalho choram de ênfase
ao assistir a alegria da menininha que pula

A manhã se faz mais azul, mais turquesa
Raio de sol, banha de rosa as bochechas,
pálpebras e os cílios negros da princesa
que enfeita de rosas suas lindas madeixas

A menininha se assusta com o sapo verde
Ri dos olhinhos estufados do louva-deus
pulando na ponta dos pés na grama inerte
galga o instante, florindo os olhos seus

Desabrocham no jardim, tulipas, azaléas
Samambaias de metro despencam, rendas,
Antúrios, hibiscos, uvas verdes, foliáceas,
e a menininha de vermelho, que desvenda

Um canteiro inteiro de flores diversas,
abertas, e de repente ela grita surpresa:
- Mãe as flores estão voando!
E um bando de borboletas se dispersa
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