sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Fome


Buracos no espaço clamam por comida
doentes a morrer por vida
uns fome de cura
Vermes fome de ferida
Ardem os corpos, por fome
de comida
de lascívia
de guarida
Pratos vazios na mesa da vida
uma mãe que diz:
dorme filho, que passa
E a fome rói,
dói,
humilha
Turvam as capacidades cognitivas
enquanto a multidão sai batendo panelas
gritando pelas ruas a ajuntar seus tesouros
Há muita pressa, pouco tempo resta
Comida! Fome de cédula.
E a ferrugem clama, veste-se das cores da flama
e se extingue em cinza
o mofo seca
a bactéria definha
As mulheres deixam suas casas, seus filhos
os peitos alimentam a máquina
Que se engorda de vento, e nunca se farta
As criancinhas choram de fome
de aprender como nasce o tomatinho
como cresce o coelhinho
que o papel bonito ilustra, cientificamente
geração de palavras
que não alimentam
pequenos oráculos de visão limitada
de conhecimento mil, sobre a profundidade
nada
Na vitrine o vestido fascina,
o carro brilha, intimida
o diamante cintila
o vendedor se retorce de fome
ante o olhar cobiçador do transeunte
As corporações ajuntam tesouros em cofres
Guardam com fome o elixir de sua vida
E a florzinha murcha lá fora,
sozinha,
com fome, sede
e a criança da escolinha,
com fome de mãe olha a pobrezinha
vê que tem fome,
e em desespero ajunta seus brinquedos de plástico
às raízes famintas da erva que definha

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