sexta-feira, 8 de março de 2013

A alquimista




 
Ah mulher!
Por que mordeste?
Te deixaste enganar em seu próprio conto
ludibriada pela fálica serpente

Mulher,
tu te condenaste a sorver em teus rubros lábios
o veneno que destilas em mel,
e alimenta o ventre protuberante

As tuas mamas jazem plenas de promessas

Tu és invólucro
Casca
Retículo endoplasmático
Raiz da árvore esplendorosa
que se estende majestosamente apontando ao infinito
enquanto te enterra ao solo sombrio
rumo ao cerne flamejante da terra

Mulher, que olha para o teu castigo
naquele berço de criação
com a graça dos afetos que te rompem
em chuvas de sal

Tu salgas a terra
das loucuras da insipiencia

As tuas emoções
tão flores
poemas da divindade
refletem nas pérolas dos teus dentes

Mulher que morde novamente
a fruta suculenta sob o olhar encantado da serpente
para que possas viver outra vez o enlaçe da meiose

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