terça-feira, 20 de março de 2012

Matéria Bruta

Qual água moldando as rochas
Quero deitar no papel as minhas palavras
a deslizar suave, sensualmente
Qual som de borbulhas que estouram
molhando a fresca relva

Não quero medir sentimentos
Nem escandir a confusão
Quero antes versos de outono
Folhas lançadas ao vento

Quero escrever versos de chuva,
frescos, restauradores
versos que desabrochem a primavera adormecida
e que me caibam como luva

Porque palavras são palavras,
e há dias em que se deve cosê-las, bordá-las,
mas hoje não, estas foram tiradas da confusão,
não devem estar organizadas
nem obedecerem nada
só dizerem...

E dizendo vão contar
Macio e baixinho
qual uma grávida ao violão
gerando música e nascendo em sensação

Não quero lavrar rimas
Quero que as palavras permaneçam como intemperies
E que o vento, o sol, a chuva e a terra
sejam os escultores desta obra
bruta, tosca, mouca
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