quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tango


A boca vermelha voluptuosamente morde a rosa
(...)
Fascina,
(...)
A mão firme desce a espinha e puxa,
(...)
Brusca!
(...)
A perna longa os pés em ponta escapam da fina estampa da saia.
Bamboleiam os quadriz manipulados em movimentos ondulantes
concomitantes
excitantes.
(…)
Os dentes alvos cravam o tale tenro, rostos se colam por um instate
enquanto ele infante rouba a rosa e afasta o rosto num só movimento
(…)
Ora lento,
violento
(…)
Rodopiam o corpo e a imagem projetada
no salão sobre o chão de vidro fino
o peito arfa sob a fazenda, um fio de suor brota das têmporas
sob o cabelo negro
(…)
Contrastando a suavidade do lento
o salto bate no vidro do momento
(…)
Trinca!
(…)
O risco no chão sob um abismo feito de escuridão
Alheios os amantes dançam hipnotizados pelo som
Cintilando os brocados refletem a glória dos candelabros
(…)
Olhos que não se fitam, bocas que não se tocam
Almas que se entrelaçam ao calor do tango
Mariposas atraídas à luz brilhante
(…)
diamantes,
(…)
Envoltas no abraço rodopiam as sensações
ansiando o momento em que a flor exploda
de botão em pétalas rubras
(…)
Talisca que se abre
Ao pulso do sangue



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