terça-feira, 27 de agosto de 2013

Curuá

Das águas cor café
Contam Chipayas e Curuahés
A lenda de um homem
que em meio ao salto estrondoso
paira a fumar o cachimbo da paz
Entre caixas de mantimento, mexericos, malária
ranchos, cansaço e cachaça sacolejam na boleia do jirico
A sequência de saltos em prolepse
anunciam o estrondo glorioso, catedrático
escondido, tesouro engastado
na Serra do Cachimbo
Curuá na base aérea
Misteriosa
Travessia entre Xingu e Tapajoz


Curuá menino
conhecido apeans do povo Jamanxim
Hoje majestade não ostentas
teu volume foi roubado pela PHC
Oh último segredo Curuahé
Choram por ti
as derradeiras lágrimas Chipayas
O dia que um novo homem lhe pisou
as margens virgens
e o homem ordenou que houvesse luz
interrompendo a sábia separação
Já não há trevas,
Teus peixes já não abundam
aos saltos da piracema
Nem redes, nem descanso
Curuá salta
em sequência
rumo ao seu último salto
Pajés que já foram
choram ao que será,
choram a cura
que curará a cachoeira
Curuá
Ah Curuá
Rio degradado


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