quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vendaval


O vento uiva nos fios
voa vento
voam vendavais
revelam-se sibilantes

Ventos varrem as várzeas
ventania em pastos verdejantes
voa varrendo a vastidão
os vazios
as covas novas

Vértice sussurante
vandalizante, voa descabelando
chorões
desnorteando velas
despindo as vestes
de boninas vespertinas

Um vento visceral
vazante
viscoso
violando viciosamente
aves
povos
os vícios vazios

Voa voa voa

Alvoroçando
vibrando em claves
as andorinhas nos fios

Vento de vozes vorazes
de virtutes esquivas
de inverdades veladas

Vento cegueiro
vento de ciscos e traves

Uge
sopra brasas tenazes
vaza vértebras
e voa certeiro

Enverga a árvore
a avó que varre
e a que vai varrer
evocando vozes

Vozes de vento
vento de vozes
vozes que vêm
vozes que vão
vento no vão
poeira vã
no vazio de um chão
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